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Não é possível discernir se, quando escreveu
“Claríssima” (http://pecaclarissima.blogspot.com/), Regiana Antonini soubesse que havia
sido descrita em uma frase de Clarice Lispector:
“Que ninguém se engane, só
se consegue a simplicidade através de muito
trabalho”.
Dona de olhos azuis
intensos, Regiana domina uma conversa com facilidade. A primeira
vez que a vi foi em uma sala da Cia de Teatro Contemporâneo, dando
aula de dramaturgia. A paixão com que falava aos seus alunos era
quase palpável, assim como o seu amor pelo teatro.
Atriz, diretora,
dramaturga, professora, escritora, autora, redatora. Topou
conversar comigo de primeira, sem afetações ou frescuras. Nos
encontramos em um café na Cobal, Rio de Janeiro, logo após sua
aula. Antes, passou na feira e comprou frutas e verduras para
mandar para casa.
Canceriana, se diz
insegura. No entanto, ao conversar com ela, percebo a confiança de
quem acredita no seu trabalho. Traz no currículo um Prêmio Sharp de
melhor autora (disputado com Miguel Falabella), com o texto
“Futuro do Pretérito”, a materialização de sua
competência. E, mesmo assim, permeia suas frases com uma humildade
deliciosa, algo possível somente a quem tem muito o que
ensinar.
Ao ser questionada
sobre os motivos de sua vinda para o Rio de Janeiro, a mineira me
diz, entre risos, que quando resolveu se arriscar em terras
cariocas tinha a ambição de ser protagonista da novela das oito. Se
formou na CAL, escola tradicional de atores. Inclusive, seu nome
está na página dos alunos ilustres do local. E mesmo ela afirmando
que se realiza plenamente atuando, seu maior sucesso é na escrita,
principalmente em roteiros teatrais.
Trabalha na Rede Globo,
no humorístico Zorra Total. Criadora do bordão “Te
conheço?”, assume que gostaria de realizar um papel no
programa. Porém, ali ou se cria ou se atua, e a veia criadora está
sempre falando mais alto.
Sua peça “Aonde
Está Você Agora”, baseada na música Vento no Litoral, está em
cartaz desde 1995. Já viajou pelo Brasil e rendeu também um livro
publicado pela Editora Beto Brito em 2001. Renato Russo, autor da
canção, disse que “Valeu a pena viver para ver uma de minhas
canções virar uma peça tão linda e emocionante”.
Falando de sua
trajetoria, iniciou-se casualmente no mundo dos roteiros e já teve
a felicidade de ter em seus espetáculos Rosamaria Murtinho, Lilia
Cabral, André Gonçalves, Iran Malfitano, Bruno Gagliasso, Marcelo
Serrado, Jonas Torres, Edwin Liuisi, Marcelo Saback, dentre tantos
outros. Isso é só para quem tem muito talento. Sua primeira
montagem profisional foi dirigida por Cláudio Torres Gonzaga, que
também a levou para a Rede Globo. Mesmo assim ela ainda agradece a
sorte.
Altos e baixos na
carreira já teve muitos. Se em um ano ganhou o Prêmio Sharp, atuou
na novela “Salsa e Merengue” e escreveu para o programa
“Sai de Baixo”, no ano seguinte foi vender biscoitos
para se sustentar, pois as portas se fecharam. Desistir?
Jamais.
Seu roteiro
“Doidas e Santas”, adaptação do livro homônimo, está em
cartaz no Rio de Janeiro. Só mesmo alguém com a sua capacidade para
adaptar um best seller sem ter a menor interferência da
autora. Martha Medeiros assistiu e chorou emocionada. Regiana fez
uma junção de todas as crônicas do livro, criando uma história
nova. Resultado: Sucesso! Com Cissa Guimarães, Giuseppe Oristâneo e
Josie Antero no palco e direção de Ernesto Picolo, o Teatro do
Leblon está ficando lotado em todas as sessões. E sua parceria com
Martha Medeiros ainda está rendendo frutos. O romance “O
Divã” está sendo adaptado para a televisão. Coisa de gente
grande.
Tem um grupo de teatro,
chamado “Cia da Boca”, com 17 jovens atores. E criou o
Amadas (http://amadaspontocom.blogspot.com), uma peça que vai sendo escrita através
de postagens no blog. Fora isso, ainda está com o texto
“Mulheres que comem bem” em fase de produção, que terá
Fabiana Carla no elenco.
Ao ser perguntada de
conselhos a jovens artistas, disse que aprendeu com o tempo que
“o sucesso não é a fama”. Senti muita intensidade em
suas palavras quando me disse que os novatos devem entender que
quando não se passa em um teste ou não se ganha um concurso, não
deve ser tomado como algo pessoal. “Não é com você,
acredite”.
E só Clarice Lispector poderia terminar:
“A palavra é o meu domínio sobre o mundo”.